Confesso que fiquei chocada quando vi essa obra do fotógrafo polonês Andrzej Dragan. Ver qual teria sido o resultado da ação do tempo sob o maior sex symbol do século 20 me fez refletir sobre a vida, a beleza, a experiência. Marilyn Monroe até hoje povoa o imaginário de homens e mulheres, mas certamente não seria o mito que é se tivesse sobrevivido.
Em compensação, seria uma velhinha sábia e com muitas histórias deliciosas para contar. Talvez teria feito algumas pontas em comédias românticas, interpretando a vó da Meg Ryan e da Julia Roberts. Dependendo do seu estilo de vida, talvez até da Reese Whiterspoon. Certamente teria uma coleção de maridos maior que a da Elizabeth Taylor. Mas o mais provável é que teria sido esquecida, já que sua carreira estava em franco declínio na época de sua morte.
Para Marilyn o tempo teria sido cruel, mas ele é bondoso com a maioria de nós. Exceto para as muito vaidosas, que se exasperam ao menor sinal de rugas, flacidez ou gordurinhas. Essas nunca se sentirão confortáveis na própria pele, não importa quantos milagres cosméticos sejam inventados. Para mim o tempo foi muito generoso: me ofereceu carnes fartas, mas também muita sabedoria e confiança no meu taco. Se aos 15 anos eu entrava em calças 36, hoje eu tenho um bom papo. Se aos 15 eu tinha pique para ir a todas as festas, hoje eu vou somente nas realmente boas. Aos 15 eu era bela, mas me sentia um lixo. Hoje não chego a ser um lixo, mas me sinto um luxo. É uma boa troca, vocês não acham?
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