Ontem estava conversando com a minha amiga e colega Cler Oliveira, quando ela mencionou que achou um absurdo essa história do vídeo da Amy Winehouse, que a música não era racista coisa nenhuma, que era sensacionalismo, etc. O que ela não sabia é que fui eu que, na falta de atentados terroristas e desastres naturais no plantão da madrugada de sábado para domingo, descobri a história e publiquei na zerohora.com. Antes de outros portais mais afeitos à arte de fofocar, diga-se de passagem. Também não achei o conteúdo um absurdo da xenofobia, e as fotos não chocam mais ninguém nessa altura do campeonato. O que mais me chamou a atenção foi  ouvir uma versão de uma música da Xuxa (que havia regravado, eu sei) na boca da pôrra-louca. Mas se eu colocasse na manchete “Vídeo de Amy Winehouse cantando versão de música da Xuxa é divulgado”, alguém leria? Ou “Fotos de Amy Winehouse usando drogas caem na rede”? Acho que não. E o grande objetivo de qualquer meio de comunicação, seja blog, site, revista ou jornal é ser lido. É vender, é lucrar. E se o povo gosta de fofoca e baixaria, daremos isso a ele! Não defendo o sensacionalismo como vimos na cobertura do caso Isabella Nardoni, que foi simplesmente nojenta, mas um pouco de gossip não faz mal a ninguém. E mesmo aqueles que detestam não escapam de saber quem tá pegando quem. Faz parte da cultura ocidental, e não adianta lutar contra.

Isso me leva ao texto publicado pelo Phelipe Cruz hoje no Papel Pop. Ao comentar a guerra Wagner Moura X Pânico, o blogueiro abusa do seu característico bom humor para defender o jornalismo de celebridades. Mesmo dizendo que estes fotógrafos são, infelizmente, profissionais, Phelipe disse o que eu sempre quis dizer, mas nunca encontrei as palavras certas: Já imaginou a chatice se o mundo fosse feito só de gente séria? Já imaginou que chatice o jornal sem o caderno de variedades? Já imaginou que chatice o consultório do dentista sem a Caras na sala de espera? A indústria da fofoca movimenta a economia, dá empregos e alegra os nossos dias. Tem até muita gente inteligente ganhando uns bons trocados com a bunda da Mulher Melancia. Isso é errado? Não: errado é inventar notícia, chutar filhote de cachorro, dar golpe por telefone em velhinho. That’s entertainment!

Leia também: