Como trabalho só à noite, every single day acompanho a programação televisiva vespertina enquanto faço outras coisas em casa, com um agravante: tv aberta, sem o advento da net.

Fico chocada com o modo com que as redes de televisão subestimam a inteligência do público brasileiro. Estamos no ano de 2008 e a programação da tarde segue direcionada a uma dona-de-casa pouco escolarizada. Dois canais direcionam a programação aos jovens, exibindo clipes made in USA, com rappers norte-americanos com muitos blings-blings (ouro e diamantes, além das putas), cheios de valores inapropriados para caráteres em formação, veneno puro ao alcance das crianças.

Os programas voltados ao público feminino são recheados de barracos, merchadising pesado e exploração das dores alheias, o que contribui para limitar o senso crítico de um público ridicularizado e desrespeitado.

A simples troca de canal até podia resolver, mas dia após dia a programação resiste e para um telespectador que desconhece outro tipo de televisão, não existe a possibilidade de fazê-lo preterir o que está ali diante dele. Literatura é um prazer desconhecido para eles.

E assim seguimos com um público viciado em Márcias Goldschimidts, Sônias Abraão e filmes da Xuxa, com crianças aprendendo que ser gangsta é ser legal.

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