Como trabalho só à noite, every single day acompanho a programação televisiva vespertina enquanto faço outras coisas em casa, com um agravante: tv aberta, sem o advento da net.
Fico chocada com o modo com que as redes de televisão subestimam a inteligência do público brasileiro. Estamos no ano de 2008 e a programação da tarde segue direcionada a uma dona-de-casa pouco escolarizada. Dois canais direcionam a programação aos jovens, exibindo clipes made in USA, com rappers norte-americanos com muitos blings-blings (ouro e diamantes, além das putas), cheios de valores inapropriados para caráteres em formação, veneno puro ao alcance das crianças.
Os programas voltados ao público feminino são recheados de barracos, merchadising pesado e exploração das dores alheias, o que contribui para limitar o senso crítico de um público ridicularizado e desrespeitado.
A simples troca de canal até podia resolver, mas dia após dia a programação resiste e para um telespectador que desconhece outro tipo de televisão, não existe a possibilidade de fazê-lo preterir o que está ali diante dele. Literatura é um prazer desconhecido para eles.
E assim seguimos com um público viciado em Márcias Goldschimidts, Sônias Abraão e filmes da Xuxa, com crianças aprendendo que ser gangsta é ser legal.
6 Responses para "A tarde é triste na TV aberta"
E eu achando que era a única pessoa a passar por isso e a pensar nisso!
São receitas de comida mal feitas, rappers milionários por serem ignorantes, donas-de-casa com problemas com a vizinha e Chaves.
CAMPANHA BOLSA-NET JÁ!
Mexeu com você, mexeu comigo!
Não é só a tarde que é triste. A manhã é triste, a noite é triste, a madrugada é triste.
Enfim, a televisão aberta é triste. Pouquíssimos programas se salvam.
Por isso que cada vez mais eu fico mais tempo na Internet.
Por isso eu prefiro ficar na frente do PC do que na frente da TV. Se bem que nos últimos dias até tenho olhado uns pedaços das novelas, as vezes pode ser divertido.
É, minha cara. É mais que triste; é horrivel. O público que não dispõe de outras opções, vê uma pessoa, claramente contratada por cachê quiçá irrisório para contar no ar e para todo o planeta, um segredo guardado a sete chaves o qual nunca teve coragem de contar ao mais íntimo de seus entes. Vê pessoas “submetidas” a máquinas que detectam a mentira num programa que não passa de uma mentira cultural e realística.Interessante é que ainda existem empresas que patrocinam esse tipo de transmissão. Claro que, a exemplo dos programas, certamente não lograrão viver por muito tempo com essa opção de marketing. Felizmente, tenho alternativas como TCM, NG,Sportv, e, na TV aberta, ainda nos restam as cansativas mas deliciosas repetições do grande Chaves, Boldrin, Inezita…
Ainda bem que à noite, temos o horário eleitoral onde o candidato bate no “adversário” que, até ontem, tinha seu irrestrito apoio, posto ter sido colocado no poder por ele próprio. Temos deliciosas promessas e tudo quanto o povão gosta de ouvir; temos as mais divertidas opções de humor (negro) e o pula pula de partidos que em cada região se aliam ao mais conveniente sem nenhuma identidade com o necessário conjunto de ideias em comum, qualqauer ideologia ou respeito pelo filiado/eleitor.
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