Ontem o caderno Feminino, do Estadão, publicou uma matéria sobre o Clube das Mulheres. Segundo a reportagem, é um local muito família, frequentado por mães e filhas. Os “modelos” são todos homens casados, e são proibidos de ter qualquer tipo de relacionamento com as espectadoras além daquele que se desenvolve em cima do palco. As mulheres não podem passar a mão nas partes íntimas, e no final do show vai todo mundo para casa, feliz da vida. Eles, com os bolsos cheios. Elas, nem imagino porquê.

A reportagem da Ciça Vallerio me pareceu deveras cor de rosa, e digo isso com conhecimento de causa. Sim, eu já fui em um clube de strip masculino. E digo mais: três vezes. Na primeira vez, fui a uma despedida de solteira de uma pessoa que eu nem conhecia, movida pela minha curiosidade e atração pelo submundo do sexo. Na entrada da casa, localizada na zona mais trash de Porto Alegre, a primeira surpresa: patricinhas arrumadinhas na fila, trocando idéias. Sim, aquelas meninas bonitas e bem arrumadas eram habitués da casa. Já me deram várias dicas: quem eram os melhores dançarinos e outras coisas. Era noite de open bar, mas estavam servindo uma cidra tão sem-vergonha que após o segundo gole uma azia daquelas me torturava. As câmeras fotográficas foram confiscadas na entrada da casa, que tinha nome de mulher e uma pantera como logotipo.

Os strippers eram homens que os nossos leitores chamariam de Raimundas, caso mulheres fossem: corpos sarados, mas os rostos não serviam para nada. O show era apresentado por um cara tipo Miss Jay (do America’s Next Top Model), um negro bem afeminado, mas que tem pleno domínio do microfone. Ele ficava dizendo “chama que eles vêm”, e a mulherada gritando por aqueles rapazes suburbanos de cuecas. Quando eles chegam perto, então, é um inferno: o cheiro deles é INSUPORTÁVEL. Para bezuntar o corpo, eles se cobrem de óleo de amêndoas Paixão, e aquele odor em grande quantidade não é nada agradável. Eles chamam as mulheres no palco, dançam, rolam com elas, rebolam, esfregam a bunda para que as espectadoras passem a mão. Mas aquilo não é nada agradável. É cômico.

A música é um capítulo à parte. Entre uma apresentação e outra, clássicos do axé, da dance music tosca dos anos 90 e do funk embalam a mulherada enlouquecida. A música tema da profissão “Rhythm is a dancer”, que tocava em uma novela, não pode faltar. Durante os shows então, só música “crasse A”, tipo Brian Adams, enigma e etcs. O que eles fazem com as espectadoras não é brincadeira: chamam para o palco, jogam elas pro alto, giram com elas pelo chão. Dica: não vá de roupa clara.

Sexy NOT!

Entre um strip e outro, os rapazes ficam circulando entre as garotas, brincando de seduzir. Durante o show, o apresentador faz a proposta “se você gostou de algum dançarino, convide-o para o café da manhã”. Café da manhã? Arrã. Sei. E deve ser um sacrifício para os rapazes levar as coroas para o café da manhã. Meu gaydar muito apurado avaliou que apenas cerca de 20% dos moços devem ser heterossexuais. E não digo isso pelos corpos depilados, os cabelos compridos (clássico do stripper, inspirados pelo sex symbol Fabio) ou o óleo que emana de seus corpos. É um gesto, um olhar… às vezes até um certo desprezo pelas espectadoras.

Na saída, a proprietária da casa entrega um folders para as outras noites, que são mistas. Uma menina tentou pegar meu telefone para me manter informada sobre as novidades do estabelecimento. Não, obrigada. Conclusão: não tem nada de sexy em um clube das mulheres. Meninos, se as suas namoradas forem convidadas para uma despedida de solteira, podem dormir descansados. A única coisa que ela vai fazer é dar muita risada, e sentir saudade do teu cheirinho de sabonete.

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