O nosso trabalho dá a chance de conhecer algumas personalidades de destaque, mas poucas destas realmente são pessoas célebres.
É estranho estar diante de um semelhante que a gente admira, porque aquela pessoa não faz idéia da importância que a imagem ou o pensamento dela faz sentido para nossa existência. Dá um frio na barriga e a mandíbula, antes de enrijecer, abre num ângulo de 45°.
Até agora eu só senti isso diante de duas pessoas: Ruy Carlos Ostermann, na primeira vez que o vi no trabalho, e Luis Fernando Verissimo. O primeiro, apesar de hoje encontrar com certa freqüência, ainda sinto vontade de fazer uma flexão para reverenciá-lo quando cruzamos, mas claro, não faço e sinto ter ganho o dia quando ele põe a mão no meu ombro e me dá uma sacudidela, cumprimentando: - Tudo bem contigo, guriazinha?
O segundo, encontrei pela primeira vez no sábado, quando chegava ao trabalho. Ele provavelmente estava saindo do teatro que fica ali perto do jornal, acompanhado pela família. Eu fiquei estática, paralisada quando vi LFV. Nesse meio segundo, em um instante de catarse, pensei: E se ele soubesse que ele é um dos responsáveis por eu estar entrando neste prédio à 0h de domingo para fazer o plantão? Que a cada vez que um professor nos diferentes níveis de ensino pelos quais passei entregava o texto O Gigolô das Palavras para lermos, eu tinha mais certeza que também queria explorá-las tal como ele faz, com a mesma ausência de escrúpulos.
Imaginei, neste segundo, como seria esse diálogo com ele. LFV é tímido e assim como eu, prefere se expressar pela escrita, menos pela fala. Mas eu falaria muito, e ele seria monossilábico.
- Oi, LFV!!!!!!!!
- Oi…
- Eu leio o que tu escreve…
- É? E?
- Hoje eu tô aqui nessa esquina, trabalho todas as madrugadas, posso até ganhar pouco, mas o contato intenso que eu tenho com as pessoas compensa e me satisfaz. Eu sinto muito prazer em fazer o que faço, e só faço porque, quando li aquele texto do gigolô vi que queria viver daquela forma…
- Ah……..
- Sério, sou muito agradecida e até acho eu te devo algo por isso.
- Ihhhhhh…
- Um muito obrigada!
Ele murmuraria: - Uhhhhhhh!
Mas resolvi ficar quieta, sem ousar atrapalhar as suas passadas, sem cortar seu raciocínio precioso, que naquele momento deveria ser algo do tipo, “onde eu coloquei o carro, mesmo?” ou “não devia ter comido aquele risoto…”. Pensamentos que eu jamais ousaria interromper. Preferi, numa olhada tímida, ver ele retribuir minha aparente admiração com uma outra olhada tímida de soslaio, mas com aquele admirável sorriso incógnita de Monalisa, aquele sorrisinho safado que pode ter uma infinitude de sentidos, que só ele sabe e pode traduzir na palavra que ele quiser usar, afinal ele é um safado e faz o que bem entende com elas, as palavras.
4 Responses para "O dia em que encontrei LFV"
Pôxa Ana, desculpaí, mas teu texto tá meio ambíguo:
Hoje eu tô aqui nessa esquina, trabalho todas as madrugadas, posso até ganhar pouco, mas o contato intenso que eu tenho com as pessoas compensa e me satisfaz. Eu sinto muito prazer em fazer o que faço, e só faço porque, quando li aquele texto do gigolô vi que queria viver daquela forma…
Pelo que entendi tu é jornalista, é isso?
É isso aí Jorge!
Sou sim, Jorge. A intenção era esta mesma, hihihih…
HUEHuheuehUE. Pior, parece mesmo kkkkkk.
Mas ser escritor é pior que vender o corpo, vende-se a alma (tá, na verdade apenas se empresta). Mto bom o texto, gostei por tbm ter esse apreço pelo LFV. Embora não me emocione com ele já algum tempo. Já a Martha Medeiros…. bem, deixa pra lá.
Excelente blog meninas. ^^
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