Eu poderia, mas não vou falar de buço. Um porque a palavra é feia; dois, porque ele fere os padrões estéticos; três porque é um assunto traumático, e falar nele deve estimular o crescimento.

Vou falar do bigode nosso de cada dia - rapazes, que dia-a-dia o barbeiam e raparigas que seguido são arranhadas por eles. Aqueles proeminentes pêlos que podem ser cultivados pela espécie masculina entre o nariz e o lábio superior. O bigodón bagual.

Poutz, eu acho bigode feio pra caramba. Ainda, se estiver associado a atrevido cavanhaque, passa. Também passa se estiver inserido no contexto de uma portentosa barba. Mas só o bigode, não me desce. Aí, que na semana passada eu li na Folhateen que o bigode está ensaiando sua volta à moda. Meda!

 

Segundo a reportagem, o retorno do bigodón se deve ao povo indie paulista (confere?) e à exploração da tendência feita pelas passarelas do mundo fashion, que resgataram a latinidade e o setentismo nos desfiles. Em outros tempos o bigode era sinônimo de masculinidade, seriedade e maturidade. Mas estamos no século 21 e, pergunte para qualquer antropólogo, os pêlos já não são mais tão importantes para a raça humana. Talvez esteticamente, mas…

Vamos fazer um exercício. Em 10 segundos, diz aí o que vem na sua cabeça quando você pensa em bigode… 1, 2, 3 e já!
Pronto. Na minha vieram: Professor Girafales, Senhor Cabeça de Batata, Charles Bronson, Felipão, Paixão Cortes, Dalí, meu pai na década de oitenta, acento circunflexo, ah, e sempre que a professora pedia pra eu desenhar um vovô ou um papai, eu punha um bigode. E na sua, o que veio? Algum homem hot de bigode? Não, né?

Pois é, embora tenha os entusiastas de um bom bigodón, acredito que essa moda não vai dar certo. Eu pelo menos, não encorajaria um amigo a deixar um. Vai ser como a tentativa de resgatar a saia balonê, a polaina. Até dá pra usar, afinal, vivemos em uma democracia. Mas, caro leitor, não tente ser sexy usando um bigode.

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