Eu adoro animais. Meu maior trauma de infância foi não ter tido um cachorro. Crescida, dei um jeito de me cercar de gatos fotos e cheios de personalidade. Tenho a Clara, carinhosa e meiga como boa mulherzinha que é; a Mimosa, que é bobalhona e passa os dias perseguindo as sombras alheias; e o Baby, rei das duas, farrista e comilão. O Baby é tão cheio de personalidade que, na única vez que foi tomar banho em uma pet shop, se enfureceu, fugiu e passou 18 dias fora de casa. Mas voltou, para nossa felicidade.

Não quero falar aqui dos nossos amiguinhos de quatro patas, mas sim dos animais que alegam os defender. Não falo daquela amiga simpática que enche minha caixa de e-mail com pedidos de ajuda e animaizinhos para adoção. Falo daqueles que colocam seu amor pelos animais acima de qualquer coisa, até do bom senso. Não entenderam? Explico.

O David Coimbra, colunista de relativo sucesso por essas bandas, escreveu uma coluna relatando a mordida que seu filho de 11 meses levou de um poodle. Ele estava irritado, e pode até ter exagerado no tom. Eu entendo, pois antes de ser dona de bichinhos, eu sou mãe. E se algum cachorro morder o meu filho, acredite, eu vou ficar MUITO irritada.

Os nossos amigos defensores dos animais, no entanto, não leram toda a coluna e entenderam que o cara estava incentivando a crueldade contra os cachorros, que ele chamou de ratos peludos. Decerto trocaram e-mails, se organizaram em comunidades do Orkut e até fizeram uma petição online. E foram todos comentar no tal post do blog do cara. Até o presente foram 413 comentários publicados, mas no mínimo o dobro desse número foi deletado sem dó nem piedade. Porque? Ora, desrespeitavam os termos do jornal: tinham palavrões, e MUITAS ameaças.

Lembrem-se do que eu disse lá no começo do texto: adoro cachorrinhos. E nem gosto tanto assim dos textos do David, com sua fórmula sexo, cerveja e futebol. Mas no momento em que as pessoas perdem a cabeça por uma bobagem dessas, só posso chegar a uma conclusão: esse pessoal é chato, feio e bobo. Se dedicassem metade de seu “ativismo” para protestar contra os desmandos na política, viveríamos em um mundo melhor. Se dedicasse metade do seu “amor” para as crianças abandonadas, esse Brasil não teria tanta violência.

E não me venham falar de amor: quem aponta suas armas - mesmo que verbais - para um pai chateado, para uma mãe novata ou para um bebê indefeso NÃO TEM NADA NO CORAÇÃO.

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