Vivo um drama. Fui vestir a minha calça jeans preferida pra ir trabalhar e qual não foi a minha surpresa quando descobri que, após resistir por quatro bons anos, ela estava puída entre as pernas. As fibras de algodão não agüentaram a freqüência do uso. É uma reles calça jeans desbotada, não é de griffe e a adquiri, por uns R$ 30 (acho que foi na Renner), mesmo assim me deixou destruída.

Era tão confortável! Eu usava em qualquer situação, do trabalho ao lazer. Entendia cada centímetro das minhas nada ortodoxas formas. Não resisti e, pá, fui com ela uma última vez ao trabalho. Claro que passei o tempo todo bitolada, pensando que ao mínimo deslize, todos perceberiam que lá estava eu, esfarrapada. Esfarrapada, mas com a minha calça preferida. Voltei pra casa e seguiu a dúvida.

Mas qual o destino dar para uma calça puída? Doação? É um sacrilégio doar peças de roupas já deterioradas, um despropósito. Remendar? Não né! Deixar no fundo do guarda-roupa? Junto com aquelas peças que eu não uso por gostar menos ou que não me servem mais (e ainda sim eu nutro uma esperança de que um dia eles voltem a servir). Sim, eu guardo tralha, muita tralha no guarda-roupa. Não é bom ficar atravancando o armário com coisas que a gente não usa, porque se a gente não libera espaço para as coisas novas, eles nunca virão, não é?

Comprar outra? Até ficar no nível de confortabilidade (!) desta, mais um ano de uso pelo menos. Deixá-la só para usar em casa é uma saída. Mas a palavra saída me lembra que se eu tô em casa, uma hora eu saio, aí caio na tentação de sair com ela, e já era… Ai, por que a gente se apega nas roupas? Tenho também uma t-shirt preta que usei até que ela se rasgasse completamente embaixo dos braços. Tá, essa já botei fora. Maloqueira pride não dá, né?

Fazer da calça um shortinho de verão, não rola. Nem pensar, não gosto de shortinho jeans, cavado, desfiado, bléh. Isso me lembra a Pâmela Anderson, lavando um jipe e se besuntando de sabão no maior estilo cachorra de posto de gasolina. Eu tenho o mínimo de classe.

Só que me falta a classe necessária para entender que eu preciso me desfazer da calça velha. Sapateio, esperneio, mas não consigo tirar a bendita do meu quarto. Ay, que dolor, que difícil, quisera que todos os problemas do mundo fossem assim. Ah, mas um pouco de dor por coisas fúteis também são válidas. Então fico eu aqui me remoendo, velando a calça puída.

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