Meu, esta noite eu desvendei um dos grandes mistérios do universo: por quê raios os meninos são tão apegados aos álbuns de figurinhas dos mais variadoscampeonatos futebolísticos. Alguns carregam os seus albuns durante toda a vida, trocam três vezes de esposa, mas nunca abandonam as amadas coleções com aquele monte de foto de macho.

Tive a iluminação enquanto ouvia a conversa (que era mais uma celebração) entre os meus colegas, versando sobre a escalação da Bulgária, Estônia ou qualquer outra seleção de futebol de algum obscuro país da Europa oriental. A discussão corria animada. Eles recordavam com sentimento das habilidades do fulano que jogou no Stoionyev de Belgrado, da dupla de ataque que marcou época no Galatasaray e foi vendido mais tarde a algum time de renome da Espanha. Jogou tão bem na Copa de 1994, o … o…

Cara, naonde que alguém guarda tantos nomes de times e de gentes insignificantes no planeta? Tudo bem que eles tenham batido um bolão em 1974, mas oi? Insignificantes talvez pra gente, porque pra eles deve ser a sonhada figurinha 15 da página 24 da seleção da Romênia.

Confesso que até bate uma inveja da prodigiosa memória deles quando falam a escalação e a posição exata de cada jogador. Mas aí tá o truque! Estes safados só lembram deles por causa dos álbuns que colecionaram durante toda a infãncia e que claro, os destraíram na pré-adolescência enquanto a gente tentava desesperadamente chamar a atenção deles. Aí eles sabem tudo de times de épocas remotas do Brasileirão, Eurocopa, Copa do Mundo e tantos outros campeonatos quanto a Panini tenha conseguido lançar álbuns.

Sabe, tipo tabuada. Eles passam a vida olhando praquela homarada e na primeira oportunidade eles saem desfiando times, técnicos, escalações e posições. Com isso, além da admiração dos losers que não foram tão espertos e não completaram seus álbuns, e com os ahhhhhhhhhssssss de encantamento da mulherada que estiver no recinto, eles alimentam o próprio ego com a satisfação secreta de ter conseguido causar na mesa do boteco.

E pai deve passar este preceito adiante para os seus rebentos homens, que bem sucedido na vida será se souber colecionar direitinho e não perder tantas figurinhas nas famigeradas rodinhas de bafo. Devíamos ter desconfiado desde cedo disso!

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