Essa história do namoro entre a menina prodígio Mallu Magalhães com o semi-deus do rock independente, Marcelo Camelo deu o que falar nesta semana. Todo o imbróglio da discussão está na diferença de idade entre eles, Mallu com seus 16 verde anos e Camelo com seus 30: são 14 anos.

Eu afirmo categoricamente que nunca me interessei por caras mais velhos. Mas, caso tivesse ocorrido, sabe lá quem conseguiria convencer um coração adolescente ansioso por enfrentar tempestades e mares revoltos, que há de se ter cautela numa relação deste tipo. Muita calma nessa hora, e muita conversa, e muito tato para mostrar à criatura que uma relação entre dois universos diferentes pode não ser muito saudável, já que um choque de interesses pode acontecer em algum momento.

Por outro lado, hebiatras mergulham em estudos para confirmar teorias de que a adolescência, na atualidade, tem se estendido até os 30. Aos 20 e poucos sofremos com incertezas tão angustiantes quanto àquelas que nos fustigavam na adolescência. Até as espinhas pipocam para lembrar que ainda não se atingiu a maturidade. E ao contrário dos nossos pais, ainda não temos carreiras sólidas, não formamos nem um esboço de família e a estabilidade emocional passa longe das nossa cabecinhas.

Mas estamos falando de amor. Razão é uma palavra que não faz sentido para quem está perdidamente apaixonado. A racionalidade necessária no momento não habita a alma de uma adolescente e nem de um cara, do tipo “cara carente” (ver letra de Cara Valente, escrita por Camelo).

A história entre Mallu e Camelo me lembra o namoro de Nara Leão com o compositor e produtor musical Ronaldo Bôscoli, na década de 50. Na adolescência, Nara que tocava violão desde criança, reunia os amigos em saraus no apartamento dos seus pais, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Entre os amigos estavam Roberto Menescal, Carlos Lyra, Sérgio Mendes e Ronaldo Bôscoli. Nestas reuniões, além de nascer a Bossa Nova, floresceu o relacionamento de Nara e Bôscoli, ela com 15 e ele com 28 anos. O namoro se fortaleceu no gênero musical que arrebatou o mundo, mas terminou em 1961, quando a cantora Maysa chutou o balde ao revelar à imprensa que estava namorando Bôscoli. O choque fez Nara abandonar a Bossa Nova e adotar um posicionamento menos cor-de-rosa, cantando sambas dos morros cariocas e, mais tarde, interpretando composições de caráter esquerdista, no momento em que a ditadura militar recrudescia.

Para a carreira de Mallu, o love affair com Camelo, sem dúvida, só vai trazer boas contribuições. Mas tirando a camuflagem de artistas, da fama e da carreira bem sucedida de ambos, fica o dilema sobre até que ponto pode-se permitir que uma adolescente se relacione com um homem mais velho, já que nem mesmo a Justiça vê com bons olhos este tipo de união. Sendo que tratamos do verbo amar, deixemos que ele verta, que ele transborde que ele seja. O amor sendo correspondido tudo vale, certo?

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