Golpe de misericórdia ao lugar comum*

Nunca na história deste país se usou tanto clichê. A começar pelo nosso presidente, que água mole pedra dura, tanto bate até que fura nossa paciência. Política à parte, o lugar comum — o chavão — deve ser banido das páginas dos jornais, revistas, portais de internet, telejornais, rádio, e todos os meio de comunicação, custe o que custar.
Para se ter uma idéia, uma rápida pesquisa no site de buscas Google pelo adorável “calorosa recepção” nos dá 12, 4 mil resultados. Isso sem falar dos “vitórias esmagadoras”, “medidas drásticas”, um estrondoso sucesso!
A palavra texto vem do latim textu que significa entrelaçamento, tecido. Um bom texto deve ser pensado, tecido, palavra após palavra. Para fazerem efeito juntas, não precisam ser um impacto profundo, tão pouco causar rupturas. Só precisam estar agrupadas de forma coesa, respeitando as normas gramaticais do português, repassando a informação com clareza. Pimenta nos olhos dos outros é refresco. É mais fácil jogar expressões comuns e já batidas para descrever as situações do dia-a-dia.
Agora é provável que esteja passando pela cabeça do leitor a desculpa, também clichê, de que não se tem tempo para pensar em tantos detalhes no jornalismo diário. A corrida contra o relógio é a principal guerra a vencer. Mas, o que peço é que fiquem apenas cinco minutos a mais em cima de um texto e mandem para o espaço todos os renovar esperanças; não conteve as lágrimas; familiares inconsoláveis; fantasma do rebaixamento; alto e bom som.
Com o texto limpo, pensem também no lugar comum das pautas, na falta de criatividade ao abordarem fatos recorrentes como o Natal, o Carnaval. Lutemos por uma feira do livro sem pautas do último lambe-lambe de Porto Alegre, haja o que houver.
Posso ver uma luz no fim do túnel, afinal ainda acredito que a humanidade seja capaz de se livrar das mazelas do chavão.
E, como conclusão final, depois deste caminho trilhado, sabemos que se na próxima vez você escrever um texto recheado de clichês não irá poder dizer que a culpa é do mordomo!
*Texto reciclado de uma disciplina de Redação Jornalística em 2008/1.
Infelizmente, a autora que vos escreve é adepta dos clichês. Às vezes.



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