Como se não houvesse amanhã
O tÃtulo parece nome de samba-enredo em homenagem ao Carnaval, mas o assunto é adolescência. Embora ainda não me sinta uma Adulta com A maÃusculo, minha adolescência já passou há algum tempo. Em breve, faço 24 anos e pode parecer loucura, mas lembro exatamente da epifania dessa transição da adolescência para um outro estágio ao qual ainda não sei o nome.
Fazendo a limpa no meu quarto encontrei as agendas de quando era adolescente. A intensidade dos textos ia do fútil ao teatral em poucas palavras. As cartas das amigas, jurando que tudo era eterno. Os sonhos mais malucos, a histeria com os Ãdolos, nossa, tudo era pra ontem e ia durar para sempre.
Não deve ser uma caracterÃstica só minha. A adolescência é sofrida. Mas só quem já passou pela fase sabe que ser doÃda não é necessariamente ruim. Afinal, é a época das primeiras vezes. Da experimentação. Tudo dói, tudo irrita e ninguém compreende.
A facilidade do choro, a superficialidade do discurso apaixonado:
— Eu te odeio!
— Nunca mais quero te ver.
— Eu te amo.
Sem falar nas barbaridades ditas aos pais. Coitados. Ter que lidar com um dramalhão mexicano, com um enredo que vai de um primeiro amor que juramos ser o último até uma greve de fome com promesa de durar até entramos na faculdade.
Aos 13, 15, 17… não há amanhã. O choro, o sofrimento, o amor, a felicidade, o ódio. Tudo é efêmero. E ainda tem as espinhas e as mudanças corporais. Ah, os hormônios, culpados por sermos uma bomba atômica de emoções durante cerca de uma década.
Remexendo nas minhas lembranças adolescentes chegava a ficar vermelha de vergonha ao ver o quão idiota eu estava sendo. Não sou expert em sentimentos, mas pelo menos hoje eu sei que nada é o fim do mundo. A dor passa. O amor-pra-vida-toda não passava de uma paixonite. O para sempre, como diz a música, sempre acaba.
Nem tudo é sofrimento. Eu tive uma ótima adolescência. A vivência gostosa com os amigos, as borboletas no estômago das paixões, o medo das decisões e da incerteza do que vem pela frente. Nada é à toa, é como um cursinho nos preparando para a real life.
Tempo bom, sinto saudade.






nossa.. deu uma nostalgia ler isso agora…
outro dia aconteceu a mesma coisa… achei minhas agendas.. meus diários… costumava por tudo o q eu pensava e sentia la… ja q eu sempre fui muito reservada……. é legal e ao mesmo tempo entranho ler essa coisa depois de tanto tempo….=)
Acho que é de praxe esse momento de reler o diário da adolescência, fiz isso a pouco tempo e senti coisas muito parecidas com as descritas acima. É bom ver como a vida é por tempos redundante de pessoa em pessoa, faz pensar que talvez não somos tão estranhos e não estamos tão sós.
Que bonito teu texto, Mari! Foi um dos melhores…
Mari, eu, com quase 21, tenho a mesma vergonha em ler meus diários da adolescência.
Chegava a colar nas páginas tickets de cinema e papéis de bala, com o escrito: “Fui no cinema com fulano” ou “Ganhei a bala de ciclano”.
Tosco, né?
hahaha, é a vida!
Ótimo texto! Beijão!
Vergonha? Com 21 anos? Eu ainda coloco um bonequinho na agenda quando eu transo, heheheh
Mari, conseguiste sintetizar com perfeição esta fase porque não dizer ingênua, mas necessária na vida de um adolescente, porque é só assim que conseguimos amadurecer para a vida, e com certeza uma força maior nos faz vivenciar tudo isso, para depois no sentirmos com mais sabedoria, esta é a Escola da Vida, Parabéns ! Foste muito feliz nas colocações.Bjs.