As divas ganharam reconhecimento das editoras, e um gênero de literatura todo próprio: é a Chick Lit, literatura para mulherzinha, que está invadindo as estantes das livrarias e as listas dos mais vendidos ao longo do mundo. Adoramos ler dramas existencialistas, aventuras inimagináveis e romances históricos, mas também nos atiramos sem a menor culpa em livros que retratam o nosso cotidiano: a busca pelo príncipe encantado, a batalha para pagar a fatura do cartão de crédito, a luta contra a balança. Embora muitas vezes ambientadas em universos muito mais glamurosos do que aqueles em que vivemos, esses livros provocam grande identificação entre as mulheres com idades entre 20 e 40 anos. Não à toa, muitos deles ganham versões para o cinema. A mais recente é “Os delírios de consumo de Becky Bloom”, que será vivida por Isla Fischer, e cujo trailer já está circulando na internet. Para ajudar as nossas leitoras, organizamos um pequeno guia com o melhor da literatura mulherzinha:
- O diário de Bridget Jones (Helen Fielding): Clássico, acredito ter sido o grande responsável pela febre por histórias de mulherzinha ao redor do mundo. Gordinha, balzaquiana e solteira, Bridget Jones narra suas desventuras em forma de diário, onde conta o peso e o número de cigarros e drinks consumidos ao longo do dia. Se não fossem as situações absolutamente constrangedoras em que Bridget se mete ela poderia ser eu, ou você. Virou filme, óbvio.
- Selva de Batom: Eu poderia falar de Sex and the City, mas considero o livro bem inferior à série. Já neste Selva de Batom, que deu origem à série Lipstick Jungle, a “mãe” de Carrie e companhia trata de assuntos bem pertinentes, como maternidade, sucesso profissional X sucesso pessoal, e até romances no trabalho. Claro que apenas uma parcela ínfima das leitoras têm uma rotina quanto a de Nico e as amigas, mas mesmo assim toca em pontos comuns a todas nós.
- Os delírios de consumo de Becky Bloom (Sophie Kinsella): É a personagem com quem eu mais me identifico. Becky Bloom é uma compradora impulsiva, daquele tipo que paga a fatura de um cartão de crédito com outro e faz milhões de malabarismos para poder aproveitar uma boa liquidação. A diferença é que a praia dela é a Prada, a minha é a Renner (no máximo, a Zara). Óbvio que ela se mete em várias confusões, tem problemas na vida profissional e pessoal, e acaba encontrando o amor de sua vida entre uma sessão de compras e outra.
- Mulheres alteradas (Maitena): A cartunista argentina Maitena alcançou o reconhecimento quando lançou essa série de livros onde o universo feminino é retratado com um bom humor absurdo. Maternidade, relacionamentos, depilação, menstruação, profissão, está tudo lá. É engraçado, e meio dramático também. Imperdível, e deu uma origem a uma infinita sequência de livros, todos igualmente bons. Vocês podem ver uma amostra aqui. Até a mulher mais equilibrada do mundo vai se identificar com as alteradas de Maitena que, aliás, se parece muito com a personagem que ilustra a capa do primeiro livro.
- Bergdof Blondes (Plum Sykes): Esse livro, além de ter uma capa maravilhosa, conta a história deliciosa de uma loira platinada de Nova York que sonha em arranjar um marido rico para bancar as roupas de grife, o cabelereiro estrelado e a depilação brasileira. Entre viagens aos Hamptons e dores de cabeça para manter o estilo de vida, a protagonista encontra o amor. Que talvez não seja bem aquilo que ela esperava… Vale a leitura para sabermos um pouquinho mais sobre a vida das alpinistas sociais, essas criaturas que tanto nos chamam a atenção.
- O diabo veste Prada (Lauren Weisberger): Um clássico, foi ao cinema protagonizado por Anne Hathaway e Meryl Streep. O livro conta a história de Andy Sachs, jornalista que se torna assistente de Miranda Priestley, editora-chefe de uma revista livremente inspirada na poderosa Anna Wintour, editora-chefe da Vogue, e todo o seu sofrimento em servir para uma pessoa egocêntrica e megalomaníaca, além de totalmente desprovida de qualquer gentileza com os subordinados. O livro é um pouco mais pesado do que o filme: por exemplo, a melhor amiga de Andy sofre com abuso de álcool e drogas, o que foi totalmente amenizado no filme. E o final não é tão feliz…
- Sushi (Marian Keyes): Os livros da irlandesa Marian falam de mulheres mais maduras, na casa dos 30 e poucos, mas não deixam de relatar dramas universais e inseguranças de divas de todas as idades. As protagonistas da maioria dos livros são as irmãs Walsh, e o ponto de partida é algum acontecimento traumático. Eu estou lendo Los Angeles, mas a Mari, que é fã, recomendou Sushi - o seu preferido e que não conta a história das irmãs - para este guia. O livro não tem nada a ver com culinária japonesa, e é sobre uma jornalista que descobre que, ao invés de Nova York, vai ter que trabalhar na Irlanda. Lá, ela se apaixona pelo chefe, e o resto a gente pode imaginar, né?
- O diário da princesa (Meg Cabot): Ok, não é bem um livro mulherzinha. É um livro para quase-mulherzinhas, mas que agrada em cheio às fãs do gênero. Qual menina nunca sonhou em ser uma princesa e de repente se ver cercada de luxo e glamour? Pois Mia, uma adolescente de cabelo ruim que mora em São Francisco com a mãe, descobre que é filha de um príncipe, e que tem que assumir seu lugar na realeza. Ao longo dos livros ela vai crescendo e tendo que lidar com questões mais adultas, mas a obra nunca perde seu tom de conto de fadas moderno. Também foi adaptada para o cinema, também com Anne Hathaway no papel principal.
- Marsha Mellow e eu (Maria Beaumont): Escrito por uma ex-prostituta, Marsha Melllow e eu é diversão garantida. Chutada pelo namorado por ser uma careta, a nossa heroína prova que é bem safadinha e escreve um livro de deixar Bruna Surfistinha de boca aberta. Só que Amy não pretendia publicar e sim provar ao o seu próprio ego do que era capaz. Mas, a irmã dela descobre o texto e envia para um editor, que gosta e publica! Sob o pseudônimo de Marsha Mellow, Amy vira um Best Seller na Ingleterra e vira objeto de desejo dos tablóides, que armam uma caçada pra descobrir quem é a autora. Com direito a amigo gay e mãe carola o livro é ótimo para desopilar mesmo.
- A vida sexual da mulher feia (Cláudia Tajes): Não poderíamos fazer essa lista sem uma representante brasileira, né? A gaúcha Cláudia Tajes costuma retratar de forma bem humorada a vida afetiva da mulher comum, aquela que não tem uma beleza estonteante e nem um emprego glamuroso. A história de Jucianara, que - como o título pode sugerir - é uma mulher desprovida de atrativos rende boas risadas. Mas também pode ser meio dramática, depende do seu humor no dia. É uma leitura rápida e agradável, recomendadíssima.
Dia desses devorei um dos livros da Claudia Tajes, o “Dez quase amores“. O livro é aquela coisa: engraçadinho, mas não vai mudar a vida de ninguém. E não tem um final definido, o que eu acho péssimo no caso de um livro. A protagonista morreu sozinha? Casou e viveu feliz para sempre? Vai toda semana em um bailão para mulheres maduras? Não sei. Mas a obra faz qualquer menina namoradeira parar para pensar nos seus quase amores. Nos relacionamentos que não deram certo, e como a vida da gente poderia ter sido diferente caso a história tivesse ido para a frente. Eu lembrei de alguns, e omito aqui o nome dos envolvidos porque, né, nunca se sabe:
Quase amor número 1: O fulano era argentino e estava passando as férias no litoral gaúcho. Era aquela época em que a vida era fácil e eu passava os três meses das férias escolares na praia. Durante estes três meses, eu lia Fluir, sabia o nome de todos os surfistas profissionais e ouvia Bob Marley. Durante o resto do ano, usava camisa xadrez e ouvia Nirvana, Pearl Jam e Soundgarden. Como vocês podem perceber, eu era uma menina que me adaptava bem a qualquer ambiente, mas de uma coisa eu não abria mão: só gostava de caras cabeludos. Pois eis que surgiram estes argentinos, e eu e minha melhor amiga saímos com eles. Portunhol para cá, tu é linda para lá, e eu achei que finalmente ia estrear na vida amorosa. Quando o hermano, lindo e cabeludo como eu sempre sonhei, ia me dar aquele beijo na porta de casa, minha mãe apareceu. (more…)
“Tendo Deus terminado no sétimo dia a obra que tinha feito, descansou do seu trabalho”.
E estava instituído o dia do ‘nada fazer’.
Depois de seis meses de trabalho árduo, de professores chatos, cadeiras enlouquecedoras e projetos realizados, chegou a minha hora de paz e tranqüilidade. Fosse um comercial de Mastercard esse seria o meu momento Não tem preço.
Esquecer a vida cibernética, as rondas, os comentários e dar um tempo até nas séries. Serão quinze dias para fazer um backup e reconfigurar o cérebro, deixar a memória novinha em folha para os próximos meses.
E para desligar dos pampas vou visitar a parentada na cidade ecológica: Curitiba. Além disso, vou aproveitar e colocar a leitura em dia. Abaixo uma lista com dicas de livros de/ou sobre divas. (more…)
Aproveitando todo o rebuliço que a Mulher Melancia nacional vem causado, resolvi resgatar uma outra mulher Melancia: Claire Walsh, heroína de Melancia, livro de estréia de Marian Keyes, a rainha do Chick lit, na minha singela opinião.
A trama começa com Claire dando à luz a sua filha. AInda na maternidade o marido confessa ter um caso com uma vizinha e a abandona. (more…)