
Nunca na história deste país se usou tanto clichê. A começar pelo nosso presidente, que água mole pedra dura, tanto bate até que fura nossa paciência. Política à parte, o lugar comum — o chavão — deve ser banido das páginas dos jornais, revistas, portais de internet, telejornais, rádio, e todos os meio de comunicação, custe o que custar.
Para se ter uma idéia, uma rápida pesquisa no site de buscas Google pelo adorável “calorosa recepção” nos dá 12, 4 mil resultados. Isso sem falar dos “vitórias esmagadoras”, “medidas drásticas”, um estrondoso sucesso!
A palavra texto vem do latim textu que significa entrelaçamento, tecido. Um bom texto deve ser pensado, tecido, palavra após palavra. Para fazerem efeito juntas, não precisam ser um impacto profundo, tão pouco causar rupturas. Só precisam estar agrupadas de forma coesa, respeitando as normas gramaticais do português, repassando a informação com clareza. Pimenta nos olhos dos outros é refresco. É mais fácil jogar expressões comuns e já batidas para descrever as situações do dia-a-dia. (more…)

Glória Maria bate um papo cabeça com Narcisa
Houve um tempo em que os âncoras de telejornais eram apenas rostos confiáveis que nos transmitiam as notícias no final da noite. Você, que está lendo este texto agora, nunca flagrou sua avó respondendo ao “Boa Noite” do Cid Moreira? O importante é que aqueles profissionais eram reconhecidos apenas como tal, e não mexiam com o imaginário popular como agora. Hoje em dia o trabalho na televisão ficou restrito áqueles que sonham com os holofotes, as capas das revistas e as páginas de fofocas. Claro que são todos bons profissionais - senão não teriam conquistado seu espaço - mas a coisa beira o histerismo coletivo.

Pedro Bial leva uma marmita para casa
O casal Fátima Bernardes e William Bonner, por exemplo, não pode passear com seus trigêmeos sem ser perseguido por paparazzi. Eles são bonitos e talentosos, mas mereciam tamanha idolatria (e incômodo)? Pedro Bial teve seu divórcio explorado pela imprensa, e hoje não pode ir no cinema sem ter sua foto imediatamente publicada no Ego. Tá certo que vivemos no país da espiadinha, mas isso não é exagero? Patrícia Poeta virou referência de moda, e dia desses tinha umas quatro capas de revistas com o seu rosto estampado. Evaristo Costa arranca suspiros de suas espectadoras, mas o debate sobre a sua sexualidade também corre solto. Não deveria importar apenas o seu talento na bancada do Jornal Hoje? A tal Maria Cândida, que eu nem sei qual programa apresenta agora, não pode ir fazer um check up médico que já vira notícia. Glória Maria então, nem se fala, se especula desde o número de pílulas que ela ingere diariamente até a identidade de sua última conquista. (more…)
Bom, a história do pau comer é outra coisa. O que eu preciso fazer é um mea culpa aqui. Gente, para o pavor e tristeza da Mari e da Gi - que devem estar de cabelo em pé por eu assumir isto aqui -, confesso que sou disléxica! Tá, não vou forçar, eu tenho déficit de atenção mesmo. Me resta reconhecer e ter o máximo zelo com tudo que escrevo.
É, eu sei que não tem a mínima graça. Eu, inclusive, não deveria achar a mínima, mínima que fosse, já que o leitor jamais vai saber se eu sou afobada demais ou se eu não sei escrever mesmo (garanto a vocês que não é a segunda opção).
Eu sinto uma enorme vergonha em admitir isso, mas também me divirto. Principalmente ao identificar os mesmos erros que cometo - e não deveria cometer - em sites de notícias com credibilidade e page rank bem maiores que o deste singelo blog. Observem, por exemplo, o quadrinho do Ego (G1) que eu postei anteriormente, a fim de elogiar o hilário apontamento bem feito pela redatora Renata Sakai sobre o Valentino:
A redatora queria ter escrito “tão laranja quanto um Oompa Loompa” e não o que nós vemos. Aliás, pra quem quiser conferir no ar, ainda está lá o errinho. Não desconfio da capacidadeda Renata, mas como vocês, reconheço que fica bem feio. Reconheço, ok?
A propósito, o G1 é famoso pelos erros de ortografia. (more…)
O nosso trabalho dá a chance de conhecer algumas personalidades de destaque, mas poucas destas realmente são pessoas célebres.
É estranho estar diante de um semelhante que a gente admira, porque aquela pessoa não faz idéia da importância que a imagem ou o pensamento dela faz sentido para nossa existência. Dá um frio na barriga e a mandíbula, antes de enrijecer, abre num ângulo de 45°.
Até agora eu só senti isso diante de duas pessoas: Ruy Carlos Ostermann, na primeira vez que o vi no trabalho, e Luis Fernando Verissimo. O primeiro, apesar de hoje encontrar com certa freqüência, ainda sinto vontade de fazer uma flexão para reverenciá-lo quando cruzamos, mas claro, não faço e sinto ter ganho o dia quando ele põe a mão no meu ombro e me dá uma sacudidela, cumprimentando: - Tudo bem contigo, guriazinha?
O segundo, encontrei pela primeira vez no sábado, quando chegava ao trabalho. Ele provavelmente estava saindo do teatro que fica ali perto do jornal, acompanhado pela família. Eu fiquei estática, paralisada quando vi LFV. Nesse meio segundo, em um instante de catarse, pensei: E se ele soubesse que ele é um dos responsáveis por eu estar entrando neste prédio à 0h de domingo para fazer o plantão? Que a cada vez que um professor nos diferentes níveis de ensino pelos quais passei entregava o texto O Gigolô das Palavras para lermos, eu tinha mais certeza que também queria explorá-las tal como ele faz, com a mesma ausência de escrúpulos. (more…)