Já está virando tradição: todo mês o Submarino realiza uma promoção com diversos best sellers a R$ 9,90. E todo mês alguns exemplares se juntam à minha já extensa pilha de livros para ler. Mas este mês a promoção está para lá de especial, com alguns títulos realmente bacanas a preço de banana. Por exemplo, compilações de Gabriel Garcia Marquez, um dos meus autores favoritos, caíram de R$ 92,00 para inacreditáveis R$ 9,90. Vale muito a pena aproveitar, ainda mais nesta época de amigos secretos em abundância. E para se presentear também. Enfim, fiz uma pequena seleção de bons títulos, que certamente fariam a alegria das nossas leitoras:
A misteriosa chama da Rainha Loana - Umberto Eco
Textos caribenhos - Gabriel Garcia Marquez
Reportagens Políticas - Gabriel Garcia Marquez
Da Europa e da América - Gabriel Garcia Marquez
Textos Andinos - Gabriel Garcia Marquez
Para não dizer adeus - Lya Luft
Delírios de consumo de Becky Bloom
Becky Bloom: Delírios de consumo na 5ª Avenida
Bridget Jones no limite da razão
Samantha Sweet, executiva do lar
Está chegando ao fim a edição deste ano da Feira do Livro, evento badalado aqui em Porto Alegre, onde centenas de banquinhas vendem livros baratinhos para democratizar o acesso à cultura… NOT! Tá valendo muito mais a pena aproveitar as ofertas do Submarino, e receber os livros no conforto do nosso lar, sem apertos e pagando menos. A feira está chata. Tirando um ou outro evento paralelo, perdeu totalmente a graça. Nem os balaios, que outrora faziam a minha alegria e causavam até uma certa dificuldade na hora de voltar para casa com tanta sacola, estavam inspirados. Esta semana eu e as colegas de blog demos uma voltinha por lá, e registramos as únicas duas coisas dignas de nota na praça:
Gaúcho da Beira-Rio temático:

O Gaúcho da Beira-Rio é figura folclórica da cidade. Onde quer que você vá, lá está ele com a sua pilcha vermelha do Inter. O cara já foi candidato a vereador, e tá sempre dando pinta no centro. Para a feira, o cara preparou um traje especial, uma verdadeira ode às letras. Como não encontrou tecido com padrão livro, ele improvisou e foi de jornal. Tendência. A foto ficou meio de longe porque… ah, confesso, eu tenho medo dele! E com quem será que ele conversava? Machado de Assis? Monteiro Lobato? Mistério!
Livro da Luiza Ambiel:

Você lembra da garota da banheira Luiza Ambiel? Pois é, a gente não lembrava também. Até que nos deparamos com esta obra prima no balaio de saldos de uma banca. O que será que a ex-assistente do Gugu tinha para contar? E quem diria que a moça sabe escrever? Se bem que tem um co-autor, né? O mais engraçado foi a dona da banca toda curiosa para saber porque estávamos fotografando o livro. Não, mais engraçado foi ela tentando nos convencer a comprar. Minha senhora, nem que nos pagassem quatro reais por tão ilustre obra a traríamos para casa! Mas agora quem ficou curiosa fui eu: será que alguém levou a Luiza Ambiel para casa?
Eu ando de ônibus diariamente. Sempre andei. Provavelmente andarei para sempre (já contei para vocês que tenho medo de dirigir, não consigo guardar dinheiro e moro perto de tudo? Um carro está fora de cogitação). Segundo meus cálculos, nestes meus 27 anos de vida devo ter encarado o coletivo umas 18.250 vezes. Já vi as cenas mais bizarras no interior destes veículos - e nenhum assalto, graças aos céus. Mas nenhuma, NENHUMA, foi tão inusitada quanto a que eu assisti hoje.
Estava eu voltando do trabalho, concentrada na expressão arrogante de uma senhora idosa que estava sentada perto de mim, quando Moacyr Scliar entra no busão. Para quem não é do Rio Grande do Sul, o nome talvez não seja tão familiar. Mas o cara é um baita escritor, médico e IMORTAL DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Eu já havia visto o Scliar pela cidade inúmeras vezes - inclusive em uma oportunidade ele parou o carro para que eu atravessasse a rua com o meu filho, e agradeci com uma reverência - mas nunca imaginei encontrá-lo dentro de um ônibus, o supremo símbolo do proletariado, em plena tarde de quarta-feira.
O que só me faz admirá-lo ainda mais. Adoro os livros do cara. “O Centauro no Jardim” foi a leitura obrigatória mais deliciosa do meu vestibular. Não perco as colunas dele na Zero Hora. E mesmo com a vida confortável que eu tenho certeza que ele tem (e merece), o cara não se incomodou de entrar em um ônibus - sorrindo. Talvez seja laboratório para alguma crônica deliciosa, quem sabe? Agora me digam, caros leitores, vocês imaginam o Paulo Coelho no coletivo?
Foto: Revista Press