Diva Diz

Mulheres que são 8 e 80

A morte do boi Bandido

  • Arquivado em: Bizarro
Monday
Jan 5,2009

O Brasil está em choque. Reportagens são exibidas na televisão, matérias foram publicadas nos grandes jornais do país, e os principais portais de notícias brasileiros lamentam a perda deste que é um personagem importantíssimo para a cultura do país. Crianças choram sobre o seu corpo, que tão bravamente lutou durante seis meses contra um câncer de pele. Cultuado na Índia, ele deixou por aqui centenas de descendentes, alguns clones e vários litros de esperma congelados.

Além da fama de invencível nos rodeios da vida, ele também foi astro de novela da Globo. Com sua atuação impactante, roubou a cena na novela América. E para provar que sua passagem pela terra não foi em vão, com sua morte o boi Bandido escancara a falência no jornalismo brasileiro. Porque, pelamordedeus, quem foi o editor que teve a infeliz idéia de mandar uma equipe cobrir o enterro de um boi?

Isso é falta de notícia no Brasil? Não temos crianças morrendo de fome? Não temos violência? Não temos novas enchentes em Santa Catarina? Não temos pais de família mofando em filas de desempregados? Não temos corrupção? E pra não dizer que eu não falei de flores, não temos tantas ONGs e iniciativas bacanas que mereciam espaço na mídia? Não temos guerreiras que sustentam a família a duras penas e são exemplos para muitos de nós?

Esse é só mais um retrato do mundinho infeliz em que nós vivemos, onde somos instigados a lamentar a partida de um animal ruminante e não pensar no que realmente interessa. Sei que a perda de um animal é dolorosa, principalmente para seu dono que devia lucrar horrores prostituindo o pobre do Bandido, mas já estou até vendo quanta gente vai batizar seus gatos, cachorros, e - se bobear - até os filhos de Bandido depois de ver a matéria sobre a morte na Sônia Abrão. Quanta vergonha alheia!

E feliz 2009 pra vocês!

Boas ideias em 2009

  • Arquivado em: Diva Opina
Thursday
Jan 1,2009

Aí, como doeu escrever esse título. Falta um acento, sempre faltará um às minhas ideias. Mas, 2009 está aí, novinho em folha (clichê detected) e a reforma ortográfica entrou em vigor. A minha única certeza é que as proparoxítonas continuarão levando um acento bem agudo.

Para meu desespero a crase continua aí, me trazendo incertezas. Esse primeiro post do Diva Diz no ano não terão só queixas: é o primeiro em dia com a gramática modelo 2009. É também o primeiro de muitos que ainda seremos inspiradas a escrever.

Que neste ano tenhamos tranquilidade e bons assuntos para não ficarmos aqui só enchendo linguiça. (Ainda me sinto uma criminosa por não usar o trema.) O início de um novo ano sempre nos incita a fazer resoluções e as minhas, desde sempre, eu nunca cumpro.

Espero sinceramente neste ano mudar, e fazer um ato heroico não saindo da dieta e me dedicar mais ao meu último ano na faculdade. Além de outras resoluções, como quem saber ir à Coreia? Ou saltar de paraquedas, entrar na autoescola e melhorar a infraestrutura aqui de casa.

A todos que nos veem, leem, ou apenas creem em algo. Muito obrigado por fazer parte deste nosso ano de estreia e por torcer para que nossa epopeia para assistir Madonna desse certo.

Estou na praia curtindo uma folga merecida, mas daqui a pouco já pego a autoestrada (levando um Plasil para o enjoo) de volta a Porto Alegre. Que venha 2009.

Acabou o post e ainda não dei todos os exemplos de palavras reformadas. Mas isso não fica assim:

Não gosto de pera, nem de camisa polo. Devo levar a minha afilhada ao zoo nesse ano. Magoo, perdoo, abençoo. Gisele Bündchen ainda usa trema, a Assembleia, seja Legislativa, seja de Deus, perde um acento.

Ei, isso ficou uma feiura, mas pior ainda está pro micro-ondas que se separou, ao contrário de extraoficial e mandachuva. Ops, não manda a chuva não que ainda tenho mais uns dias de praia. Por falar nisso, alguém aí tem uma boia?

Sem tramoia, um beijo a quem nos apoia: Vocês são joia!

Até que a morte os separe

Monday
Dec 29,2008

Tenho lá minhas ressalvas com a instituição casamento. Além de transformar algumas mulheres em verdadeiras babacas, que deixam de ser uma pessoa para se tornar parte de um casal, acredito muito mais nos relacionamentos em si do que no estado civil dos envolvidos. Quando o sentimento é forte, qual a necessidade de receber o aval de um juiz ou de um padre (pastor, ministro ou pai-de-santo, aí depende das suas crenças religiosas)?

Por outro lado, acho bonito quando duas pessoas se amam tanto a ponto de gastar rios de dinheiro para reunir os parentes e amigos em uma cerimônia e reafirmar seus sentimentos. Jurar amor eterno, na saúde e na doença, é um passo e tanto e admiro a coragem daqueles que podem dizer isso de coração. Tamanha fé em um relacionamento é um luxo para poucos nos dias de hoje, dias de relacionamentos rápidos e volúveis.

Fé esta que, somada a uma dose cavalar de coragem e um espírito que somente aqueles que fazem a hora têm, nos deu uma tremenda alegria nestas festas de final de ano. Nossa amiga Ane Meira, depois de dez anos de namoro, tomou a palavra durante a ceia natalina e pediu seu excelentíssimo namorado em casamento. Para mim, não poderia existir um presente melhor do que ver esse casal lindo e eternamente apaixonado finalmente juntos, perante Deus e o sistema, até que a morte os separe.

Principalmente porque, muito antes da Ane pensar em convidar, eu me auto-proclamei madrinha (coisa que ela havia me prometido durante um porre, mas eu acredito que não lembre) e já estou aqui fazendo planos: como vou ajudar no casamento? Que vestido vou usar? Quantos quilos tenho que emagrecer até lá? E, principalmente, como será a despedida de solteira?

Mas isso são apenas detalhes. O principal já está lá: um noivo muito boa gente, um amigo querido e generoso, e uma noiva cheia de atitude e amor pra dar, cuja amizade é inestimável para mim. Agora é só esperar a festa, que eu desejo que aconteça logo, e brindar a esse amor tão belo. E é isso que eu espero para todas as nossas divas e musos leitores: que 2009 seja um ano de amores possíveis, belos e de tirar o fôlego.

Saturday
Dec 27,2008

Esse post é natimorto, porque não há com escapar de um bom peru com farofinha, pipocado de cerejas reluzentes ou um pernil coberto de calda doce crocante. Comida de fim de ano é assim mesmo, calórica, gostosa, tem que ter gosto de casa da mãe, senão não cumpre a sua verdadeira função, que é aproximar as pessoas.

Como é que você quer aproximar sua família numa noite que transborda união com um caldinho verde, filha? Não dá.

E caso você ache que passou da conta depois daqueles pedaços saborosos e massudos de panetone, saiba que logo, logo o ano começa e você vai ter mais 365 dias para descontar aquelas calorias trabalhando, se exercitando, passeando, dançando ou até mesmo dando aquela peregrinada nos shoppings e centros comerciais da sua cidade.

Mas se a gente ainda não consegui mudar a sua idéia de querer se controlar na comilança, se joga nas frutas secas (que abundam em qualquer ceia) e nas frutas da estação. Também evite o álcool, que provoca inchaço e te deixa com cara de breaca nas fotos (e se é para beber, seja phyna, nada de pileque). É claro que você vai perder um pouco da diversão. Tá, vai diversão praticamente zero, sejamos razoáveis. Mas espero que você faça bom proveito dos outros 365 dias que teremos pela frente. Aí, então, prometa que você vai se divertir muito, porque isso é o que vale!

Tuesday
Dec 23,2008

Os politicamente corretos que me desculpem, mas transgredir a moral de vez em quando é fundamental. Seja em busca da quebra de uma rotina que emburrece, de certezas que te enlouquecem, o que for, a vida de todo o mundo precisa, clama por alguma emoção.

Quantas são as vezes em que nos sentimos desafiados pelas nossas idéias mais malucas? Filha da classe média norte-americana, Brooke Busey, um dia encarou a sua rotina e decidiu que queria se divertir. Aos 24 anos, recém formada e com um empreguinho meia-boca, ela largou tudo atravessou o país para investir em um amor de internet e acabou fazendo strip tease em inferninhos de Minnesota só pra ver como é que era o mundo das glamurosas rainhas do sexo nos altares-queijinhos. A-L-O-K-A!

Reparem na tatuagem da Diablo...
Reparem na tatuagem da Diablo…
Hoje, roteirista oscarizada de sucesso (Juno, 2007) a moça que conhecemos por Diablo Cody é colunista da Entertainment Weekly.
Eita! Não é que ela escreveu um dos melhores tratados que já li sobre vida livre e despirocada? Um Jack Kerouac de saias em plenos anos 2000. Minha vida de stripper resume a temporada que Diablo passou xeretando os inferninhos de quinta categoria na fronteira com o Canadá, como ganhou algum dinheiro sobre sandálias de plataformas, trajes sumários e pouquíssimo pudor e o que descobriu sobre a vida dura das mulheres extenuadas, que acabam caindo numa rotina de exploração e submissão sem fim, mas permanecem como deusas no imaginário masculino.
... olha a tatoo ilustrando a capa do livro!
… olhem a tatoo ilustrando a capa do livro!
A escrita rica em detalhes e deliciosamente cômica de Diablo provoca muitas gargalhadas e algumas reflexões. Por quê raios temos que levar a vida tão a sério se podemos nos divertir tanto com ela!

Essa é nossa sugestão de leitura para o fim do ano, babies!


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